Vira Lata

Vira-lata (PT-BR) ou rafeiro (PT-EU) é a denominação dada aos cães ou gatos sem raça definida, SRD (Sem Raça Definida), sendo CRAND (Cachorro de Raça Não Definida) e GRAND (Gato de Raça Não Definida), como são geralmente referenciados em textos veterinários. Em algumas regiões do Brasil também são conhecidos como pé-duro, guaipeca, bajariva e cusco.

O termo vira-lata deriva do fato de muitos desses animais, se abandonados, serem comumente vistos andando famintos pelas ruas revirando latas de resíduos em procura de algum tipo de alimento.

Geralmente os cães e gatos considerados sem raça definida são mestiços, descendentes da combinação entre animais de diferentes raças.

Os SRD (CRAND/ GRAND) por outro lado, são todos os cães e gatos que não têm origem definidas em um pedigree, que é um certificado emitido por entidades oficiais atestando a ascendência do animal. Para obter um pedigree, o animal tem que ter pais com o mesmo certificado, ou seja, da mesma raça. Entidades certificadoras exigem verificação de ninhada e mais recentemente a aplicação de microchips por veterinários. O animal pode ter a aparência de um cão de raça mas só o certificado atesta. Hoje, com o avanço dos exames de DNA, provavelmente há possibilidade de se definir se um cão é de uma determinada raça ou não, mas são exames ainda caros. Se houver qualquer mistura de raça (incluindo a cruza de dois animais de raça ou um de raça e um vira-lata) esse animal já será considerado um SRD.


Saúde

Os Cachorros Vira Latas tendem a ter a saúde melhor do que a dos demais cães por serem mais resistentes. Diferentemente do que se acredita, essa resistência não é adquirida devido ao fato de já terem contraído doenças e terem se tornado imunes a elas (e nem todos os cães já moraram na rua, por exemplo). A resistência imunológica é maior porque a cruza dos Vira Latas muitas vezes não é “assistida”, sobrevivendo apenas os filhotes mais fortes da ninhada. Independentemente da cruza do animal, é muito difícil prever quais tipos de doenças podem afetar a vida dos Cachorros Vira Latas e, por este motivo, consultas regradas com um médico veterinário são muito importantes para evitar maiores complicações. Nem sempre os SRDs herdam as doenças típicas das raças de seus pais. Apesar do fato dos cachorros sem raça definida serem mais resistentes, é errado pensar que por este motivo os cuidados como vacinas, antipulgas e vermífugos podem ser dispensados. Como qualquer outro cachorro, é fundamental cuidar da saúde levando em consideração a necessidade de cada cão com suas características únicas.


Temperamento

De modo geral, os Cachorros Vira Latas são cães carinhosos, brincalhões e parceiros. Costumam ser muito fiéis aos seus tutores, demonstrando amor a todo momento. Mais uma vez, tudo depende da mistura de raças que deu origem ao Vira Lata em questão e, também, da própria índole do cão. Por exemplo, um cachorro pode ser brincalhão como um Beagle ou preguiçoso como um Pug. Independentemente da raça, todos os cães devem ser cuidados com muito amor e carinho, afinal de contas, quem não gosta de um cafuné?


Cuidados

Por conta da mistura de raças, os cachorros sem raça podem apresentar necessidades de cuidados diferentes: um cão com pelo mais longo precisa ser escovado com mais frequência do que um cão com pelo mais curto, um cão com dobrinhas precisa de mais atenção com a pele do que um cão sem dobrinhas e por aí vai.


Curiosidade

Diferentemente do que se acredita, os Vira Latas possuem a saúde melhor devido a uma seleção natural quando nascem. Como a ninhada costuma contar com pelo menos cinco filhotes, apenas os mais fortes sobrevivem. Os Vira Latas são os favoritos das famílias paulistanas: numa pesquisa feita em 613 lares, a maioria possuía um Vira Latinha. O nome “Vira Lata” é 100% brasileiro. Em países de língua inglesa, cães sem raça definida são chamados de "mixed breed". O número de animais (cães e gatos) abandonados em nosso país ultrapassa os 30 milhões. Esse dado divulgado em 2017 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra o quanto ainda temos que evoluir quando o assunto é adoção e posse responsável. A maioria dos pets sem lar é de raça indefinida ou mestiços. Os motivos para o abandono são quase inacreditáveis e vão desde porque o cão late demais ou fez suas necessidades onde não devia até casos de agressividade e falta de controle e paciência dos tutores quando o assunto é educá-los. Embora tenhamos várias ONGs e protetores de animais no Brasil, ainda é pouco perto do número de pets que precisam de ajuda.


No Brasil

Embora tenham no passado recebido má-fama entre os criadores, comparados aos cães de raça pura, há uma tendência crescente para a popularização do vira-lata no Brasil.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha, esse é o cão doméstico mais comum na cidade de São Paulo. O levantamento entrevistou 613 pessoas, numa amostra representativa da população paulistana com 16 anos ou mais. De acordo com a matéria publicada na Folha de S.Paulo,a adoção dos cães sem raça definida cresce sobretudo nas classes mais altas, onde os cães hoje dividem espaço com animais de raça definida. Os criadores veem benefícios na melhor saúde e resistência dos animais, pelo fato da mistura gerar um cão com "competências mais equilibradas". Porém, o principal fator que motiva hoje a adoção de cão mestiço está na questão social da adoção. A maior parte destes animais vem de organizações não governamentais encarregadas de cuidar e doar os animais, recolhidos das ruas ou de donos incapazes de fornecer os cuidados adequados. Especialistas relembram que, embora resistente e adaptável, o vira-lata ainda assim precisa de cuidado veterinário e alimentação correta, para uma saúde mais forte e um desenvolvimento adequado.

Numa fase de mundo em que todas as pessoas buscam possuir e cuidar de coisas absolutamente exclusivas para si, a escolha de ter um cão vira-lata para cuidar é a garantia de que em nenhum lugar do mudo haverá outro cachorro igual ao seu.




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